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CODA: a fantasia que sobrou depois do fim

Tem uma pergunta que persegue quase toda história de fantasia: e se a magia der errado? Não errado tipo "o vilão venceu", mas errado de verdade — o tipo de errado que destrói o mundo inteiro e deixa só os cacos.

É esse o ponto de partida de CODA, dos autores Simon Spurrier e Matías Bergara. A história acontece muito depois do apocalipse mágico de um reino de fantasia clássico, num território que sobrou da destruição: paisagens contaminadas por resíduos de magia descontrolada, criaturas mutantes vagando por aí, e muito pouco daquilo que costumava fazer sentido. No meio disso está Hum, um bardo cínico, cansado e engraçado do jeito errado, andando ao lado de Nag— um pentacórnio irritado e rabugento. Os dois cruzam esse mundo arruinado atrás da esposa desaparecida de Hum, e no caminho a gente vai entendendo o tamanho da perda que ficou para trás.

O que torna CODA especial não é só a ideia (que já é ótima), é a execução. Simon Spurrier escreve com um humor ácido que nunca vira piada fácil — ele sabe exatamente quando parar de fazer graça e deixar a cena doer. E a arte de Matías Bergara é de outro nível: cores que parecem vivas, cenários que contam história sozinhos, um trabalho visual que colocou o gibi entre os mais comentados da fantasia em quadrinhos dos últimos anos.

Pra quem gosta de fantasia mas está cansado da fórmula batida — reino ameaçado, herói escolhido, final feliz garantido — CODA é um respiro. É uma fantasia que já aceitou que o mundo quebrou e que agora é sobre viver com isso, não sobre consertar tudo de volta.

 

A Orelha Editora trouxe CODA para o Brasil numa edição integral, cuidando de cada detalhe da produção pra que a experiência de ler aqui seja tão boa quanto a original. Se você curtiu a sinopse, vale muito a pena conhecer a obra de perto.